Bailarina
O seu corpo tão decente quanto nú
Chega, enfim
Aos braços meus
E eu sei que você ao se deixar tocar
Me dará o prazer
De ser um mortal
Imortal
De ser um mortal
Capaz de amar
Você
Arnaldo Baptista
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Pregador de roupas

Pombos são criaturas inseridas num contexto sócio-histórico específico contemporâneo. Por esse motivo, são limitados à norteadores de conduta específicos deste momento e tão complexos quanto qualquer outro grupo. A definição do conceito de pombo é, sem dúvidas, de grande complexidade e necessitaria de grande esforço teórico-metodológico que não é, a princípio, os objetivos deste texto. Portanto, limito-me a analisar os indivíduos aos quais se refere o termo proveniente de estudos biológicos Columba Palumbus.
Sem dúvida, a conduta dos indivíduos acima definidos segue o paradigma pós moderno da predominância da ação instrumentalizadora racional. O ato de dormir, por exemplo, em observações de campo, se mostrou presente apenas quando não há mais pipocas pelo chão. Isto é uma demostração do cálculo racional de perda e ganho de energia vital em função da disponibilidade de alimentação.
A reprodução é ditada pela predominância esmagadora de fêmeas em relação ao número de machos. Durante o choco dos ovos, há a ação premeditada de indução ao nascimento de fêmeas que são mais ágeis na toma de decisões, além de serem mais leves para o vôo e na caça. Portanto, a conduta tomada pelos indivíduos é ditada pela instrumentalização da ação com um fim de responder à uma situação de liquidez pós moderna, garantindo a reprodução da estrutura característica do campo emplumado.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Vítimas
Da nossa imperfeição
Da passionalidade teimosa
Da racionalidade temerosa
Você é de mim
Sou sou de você
Dos amores mútuos
Amores correspondidos
Amores interrompidos
Das vontades secretas
E das públicas também
Dos carros que andam na rodovia
Dos que ficam parados na cidade
Do telefone que tocou
E do que silenciou também
Das palavras
Escritas, faladas, cantadas, gritadas e não ditas
Apenas pensadas.
Das ações e das emoções. Das frustrações proibidas.
Das conversas inventadas e das perguntas sem destino
Da nossa fatalidade
Nosso pessimismo
Nossos clichês
Falsos moralismos
Falsos heroísmos
E os verdadeiros também...
...até aqueles que ninguém viu
Eu sou abençoado
"De que tienes miedo?
A reir y a llorar luego
A romper el hielo
Que recuebres tu silencio
Grita!"
Da passionalidade teimosa
Da racionalidade temerosa
Você é de mim
Sou sou de você
Dos amores mútuos
Amores correspondidos
Amores interrompidos
Das vontades secretas
E das públicas também
Dos carros que andam na rodovia
Dos que ficam parados na cidade
Do telefone que tocou
E do que silenciou também
Das palavras
Escritas, faladas, cantadas, gritadas e não ditas
Apenas pensadas.
Das ações e das emoções. Das frustrações proibidas.
Das conversas inventadas e das perguntas sem destino
Da nossa fatalidade
Nosso pessimismo
Nossos clichês
Falsos moralismos
Falsos heroísmos
E os verdadeiros também...
...até aqueles que ninguém viu
Eu sou abençoado
"De que tienes miedo?
A reir y a llorar luego
A romper el hielo
Que recuebres tu silencio
Grita!"
domingo, 15 de novembro de 2009
Fluxo
O silêncio ás vezes diz muito mais que palavras.
Eu já sei lá no fundo que deveria saber, mesmo sem dizer o que.
E eu perdi o que jamais tive.
"Y no me sonrojo se te digo que te quiero."
Eu já sei lá no fundo que deveria saber, mesmo sem dizer o que.
E eu perdi o que jamais tive.
"Y no me sonrojo se te digo que te quiero."
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Sintonia
-eu vou ser feliz.
-me convida pra sua felicidade.
-você tem coragem?
-...
A resposta que ainda não veio me disse pra atravessar a ponte. Atravessei e deixei atrás de mim uma perda que eu mesmo não conheço de fato. Quem sabe um dia?
"Tu habias sido, sin dudarlo, la mas bella dentre todas las estrellas que yo ví en el firmamento."
-me convida pra sua felicidade.
-você tem coragem?
-...
A resposta que ainda não veio me disse pra atravessar a ponte. Atravessei e deixei atrás de mim uma perda que eu mesmo não conheço de fato. Quem sabe um dia?
"Tu habias sido, sin dudarlo, la mas bella dentre todas las estrellas que yo ví en el firmamento."
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Sim, eu sou capaz
Me preparei durante muito tempo. Muito tempo. Me firmei finalmente, agora não existem mais pesos insuportáveis pra levar, pra me impedir, enfim. E me deu um trabalho absurdo me livrar deles...
Agora nem olho mais pra eles, eles ficaram no passado, que é o lugar deles. Minha leveza agora me acompanha e o alívio veio junto. E a hora chegou. Saí das sombras, a noite chuvosa e solitária se acaba, deixo o submundo obscuro que eu mesmo construí...
Firmei as bases, olhei pra cima. O céu me espera, afinal. Levantei vôo, suave, com calma. No início o espaço me assustou. Antes não me movia, preso. Agora tenho espaço de sobra...o que fazer?
Simples: aproveitar.
"- Bem vindo ao meu mundo, onde as pessoas não andam, flutuam!"
Passei a brincar com nuvens, a voar e ver...e lá de cima vi como somos pequenos. Vi a imensidão das coisas que não vemos quando acorrentados estamos. Tomando velocidade...lagos rios e mares...cidades. Florestas e montanhas. Simples? Não. Lindo, sim. Bastante...o espaço vazio se torna liberdade. De movimento. De pensamento. De ação. Ou simplesmente de contemplação.
Flutuando, olhei para os lados. Outros estavam lá. Não eram rostos impassíveis como aqueles do corredor...e nem distraídos no seu egoísmo como os donos dos copos...não eram a dúvida encarnada e nem eram o vazio das trevas noturnas...
Brilhavam.
- Deixei de ver vultos pra ver luzes?
Parece que sim. Flutuavam e me viam, alegres por eu estar ali. Sorriam e me convidavam para brincar com eles. Nunca havia esperimentado algo igual. É assim que se sentem as pessoas quando são amadas? deve ser...mas nunca me viram, como pode ser possível?
Percebi que isso não fazia muito sentido. A luz torna as coisas tão lindas e puras que aqueles rostos um dia sombrios agora eram claros, leves, flutuantes como eu. O vento vinha e levava minhas dúvidas, levava o que restou daquilo que eu era antes.
Brinquei por um tempo que pareceu uma eternidade. Mas eu sei que não foi muito. Mas foi a maior de todas as felicidades. Voltei para o chão, que agora brilhava com o sol lá em cima, com aquele calor aconchegante. Olhando para os lados de novo, vi aquelas pessoas que brincavam comigo. Estavam ainda do meu lado, tinham descido comigo e queriam andar do meu lado. E essa foi, sem dúvida, a maior mudança de todas.
P.S. Texto originalmente publicado no dia 08/09/2009. Mas, também, continua a fazer sentido.
"Aceite as consequências do que acha que te faz melhor
Há urgência em estar vivo!"
Agora nem olho mais pra eles, eles ficaram no passado, que é o lugar deles. Minha leveza agora me acompanha e o alívio veio junto. E a hora chegou. Saí das sombras, a noite chuvosa e solitária se acaba, deixo o submundo obscuro que eu mesmo construí...
Firmei as bases, olhei pra cima. O céu me espera, afinal. Levantei vôo, suave, com calma. No início o espaço me assustou. Antes não me movia, preso. Agora tenho espaço de sobra...o que fazer?
Simples: aproveitar.
"- Bem vindo ao meu mundo, onde as pessoas não andam, flutuam!"
Passei a brincar com nuvens, a voar e ver...e lá de cima vi como somos pequenos. Vi a imensidão das coisas que não vemos quando acorrentados estamos. Tomando velocidade...lagos rios e mares...cidades. Florestas e montanhas. Simples? Não. Lindo, sim. Bastante...o espaço vazio se torna liberdade. De movimento. De pensamento. De ação. Ou simplesmente de contemplação.
Flutuando, olhei para os lados. Outros estavam lá. Não eram rostos impassíveis como aqueles do corredor...e nem distraídos no seu egoísmo como os donos dos copos...não eram a dúvida encarnada e nem eram o vazio das trevas noturnas...
Brilhavam.
- Deixei de ver vultos pra ver luzes?
Parece que sim. Flutuavam e me viam, alegres por eu estar ali. Sorriam e me convidavam para brincar com eles. Nunca havia esperimentado algo igual. É assim que se sentem as pessoas quando são amadas? deve ser...mas nunca me viram, como pode ser possível?
Percebi que isso não fazia muito sentido. A luz torna as coisas tão lindas e puras que aqueles rostos um dia sombrios agora eram claros, leves, flutuantes como eu. O vento vinha e levava minhas dúvidas, levava o que restou daquilo que eu era antes.
Brinquei por um tempo que pareceu uma eternidade. Mas eu sei que não foi muito. Mas foi a maior de todas as felicidades. Voltei para o chão, que agora brilhava com o sol lá em cima, com aquele calor aconchegante. Olhando para os lados de novo, vi aquelas pessoas que brincavam comigo. Estavam ainda do meu lado, tinham descido comigo e queriam andar do meu lado. E essa foi, sem dúvida, a maior mudança de todas.
P.S. Texto originalmente publicado no dia 08/09/2009. Mas, também, continua a fazer sentido.
"Aceite as consequências do que acha que te faz melhor
Há urgência em estar vivo!"
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
5 minutos
Estava escuro. O vento frio entrava fortemente pela brecha na parede fazendo tilintar o metal da janela mais abaixo. Só podia ver parte do teto pelo feixe de luz da rua que criava uma sombra irregular.
Minha cabeça encostou na madeira e eu me abaixei um pouco. Apesar do frio e da escuridão quase total, tinha, ao meu lado, absolutamente tudo que desejaria ter em qualquer situação. Seja qual for.
Uma pequena ação foi suficiente pra fazer subir o calafrio por minha espinha.
- se acalme. Disse a mim mesmo em pensamento.
- como?
- você se despiu completamente da armadura solitária de outros tempos. Isso é um problema?
- talvez. não sei agir sem ela. não sei o que fazer com aquilo que não vinha até mim antes.
- se acalme.
Repeti mais algumas vezes. Não entendi o que se passava por dentro, por isso prefiro falar da escuridão e do vento do lado de fora...Me virei para um lado, mais um calafrio.
- preciso agradecer.
- quem se livrou da armadura foi você. Agradeça a si mesmo por isso.
- exatamente.
Por um momento, vi a cortina esvoaçar ao sabor de uma rajada súbita de vento. Mas não podia ver meu rosto no espelho. Ainda bem. Bendita escuridão. A armadura se foi, mas a sombra estava lá pra me proteger.
Por ironia do destino, a sombra não me protegia e sim me acolhia. De fato, tudo que eu poderia desejar na vida estava ao meu lado. E isso basta.
"O que me importa ver você chorando, se tantas vezes eu chorei também?
O que me importa a sua voz chamando se pra você jamais eu fui alguém?"
Minha cabeça encostou na madeira e eu me abaixei um pouco. Apesar do frio e da escuridão quase total, tinha, ao meu lado, absolutamente tudo que desejaria ter em qualquer situação. Seja qual for.
Uma pequena ação foi suficiente pra fazer subir o calafrio por minha espinha.
- se acalme. Disse a mim mesmo em pensamento.
- como?
- você se despiu completamente da armadura solitária de outros tempos. Isso é um problema?
- talvez. não sei agir sem ela. não sei o que fazer com aquilo que não vinha até mim antes.
- se acalme.
Repeti mais algumas vezes. Não entendi o que se passava por dentro, por isso prefiro falar da escuridão e do vento do lado de fora...Me virei para um lado, mais um calafrio.
- preciso agradecer.
- quem se livrou da armadura foi você. Agradeça a si mesmo por isso.
- exatamente.
Por um momento, vi a cortina esvoaçar ao sabor de uma rajada súbita de vento. Mas não podia ver meu rosto no espelho. Ainda bem. Bendita escuridão. A armadura se foi, mas a sombra estava lá pra me proteger.
Por ironia do destino, a sombra não me protegia e sim me acolhia. De fato, tudo que eu poderia desejar na vida estava ao meu lado. E isso basta.
"O que me importa ver você chorando, se tantas vezes eu chorei também?
O que me importa a sua voz chamando se pra você jamais eu fui alguém?"
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