Ela entrou no carro. Seus olhos brilhavam confiança e um pequeno sorriso denunciava sua consciência de ter tudo no controle. Acertou o banco e cada um dos retrovisores cuidadosamente, colocando o ponto cego exatamente onde queria.
Rodando a chave, sentiu o ronco do motor, que soou como música para seus olvidos. Tinha em sua mente a rota a ser trilhada de maneira clara, do jeito que estava no mapa.
Um mapa não é a realidade.
Acelerou, confiante. Os faróis brilhavam, dando certa visibilidade à frente. Algumas curvas, algumas retas, névoa.
Faróis não iluminam o infinito.
Algum tempo depois, percebeu não saber exatamente onde ia. Percebeu que o motor, antes confiante, agora era incerto. O caminho se tornou incerto. O sorriso se desfez em uma mistura de resignação e tristeza querendo, talvez, voltar atrás. O olhar já não sabia o que fazer. A confiança se foi e ele se perdeu num infinito que terminava à sua frente.
Será que dá pra voltar agora? Será que devo tentar voltar? Existe retorno?
Enquanto pensa, o motor funciona levando-a à frente, sem a exitação que aquele olhar assumiu.
"Llevo en mi cuerpo un dolor que no de deja respirar. Llevo em mis manos un camino que no tiene destino."
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